quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O PMDB, a Veja e Jarbas.
Jarbas Vasconcelos
Podemos iniciar a trajetória de Jarbas Vasconcelos em 2007, pulando toda a sua importante carreira política iniciada como um dos principais fundadores do MDB (na ditadura) – PMDB hodiernamente -, quando começou a atuar como senador. Já de início, na época estourava o caso Renan Calheiros (para quem não lembra, ex-presidente do Congresso que foi acusado de usar um lobista para pagar a pensão da filha. Filiado ao PMDB) e, logo, Jarbas atuou firmemente a favor da cassação de Renan, o que gerou uma ótima repercussão com o povo brasileiro na época.
O PMDB
Sem dúvidas, o maior partido brasileiro na atualidade. Liderando o Senado com José Sarney, a Câmara dos Deputados com Michel Temer e com grande participação nos ministérios, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro é, sem dúvidas, um dos alicerces do governo Lula. Nas eleições de 2008 ficou claro a relação PMDB – Lula. Podemos citar, com um único exemplo, o apoio do presidente na candidatura do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
A Veja
A revista Veja sempre foi parcial com relação as suas matérias e nunca escondeu isso. Seus colunistas e repórteres se esforçam em demonstrar a prática do jornalismo de interesses, o qual escondem tal prática se autoentitulando como revista do jornalismo investigativo. Sempre a favor do PSDB e crítico ferraz do governo Lula, sendo mais notório com o colunista Reinaldo Azevedo que, quando se refere ao PT, usa o termo “Petralha”.
Sendo assim,
O que pode se esperar da Veja quando faz uma entrevista com o senador Jarbas Vasconcelos a respeito do seu partido, o PMDB? Primeiramente, podemos considerar que Jarbas não esconde de ninguém que dará apoio ao PSDB em 2010. Consideremos também que a popularidade de Lula ainda continua grande e a de Dilma (mesmo que não concretize sua candidatura) começa a subir, sendo assim, ela se torna, junto com a força de transferência de votos que Lula possui, uma grande candidata a presidência nas futuras eleições. E repetindo, mesmo que ela não se torne candidata, o PT, graças ao Lula, tem uma alta taxa de transferência de votos.
Logo, a revista Veja, parcialmente voltada para o PSDB, sabendo como todo o veículo de comunicação que o próximo presidente da República provavelmente será o que tiver o apoio do PMDB e, sendo assim, juntando esse poder da popularidade que Lula possui, entra no jogo político entrevistando um dos fundadores do próprio PMDB que já enfatizou que dará seu apoio ao candidato do PSDB e que, por causa do caso Renan Calheiros, ganhou popularidade e influência com uma parte dos eleitores.
Contudo, mesmo que a entrevista não tenha relatado casos específicos de corrupção ou concordatas por debaixo do pano (o que, claro, ninguém acredita que não haja, principalmente quando se trata do PMDB) o que, supostamente, essa entrevista realmente quis foi tentar desestabilizar o PMDB principalmente porque agora o partido encontra-se líder do Senado e da Câmara dos deputados e por, sua grande maioria, apoiar o governo Lula.
Porém, parece que o tiro saiu pela culatra pois, ao contrário do que todos pensavam, os pmdebistas simplesmente optaram por não responder tais acusações, e mesmo aqueles que são favorárveis ao PSDB e concordam com Jarbas simplesmente não responderam ou não quiseram comentar sobre o caso.
Com isso, fica claro que o jogo político para as eleições de 2010 está apenas no começo e muito ainda está por vir. Enquanto isso, aqui no Chorume, ficaremos atentos e analisando os fatos.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
De volta...
Vamos falar sério, a pendenga entre Israel e Palestina está rendendo boas baboseiras na imprensa nativa. De um lado, americanistas doentes, que olham o Oriente Médio como um caminhão de barbados com bombas em baixo do braço. De outro, anti-Eua fanáticos, que enxergam a Palestina, Irã e Líbano como arautos do anti-imperialismo.
É impressionante, acho que ainda não li nenhum editorial ou análise sensata. Ali Kamel e Reinaldo Azevedo representam Israel. Carta Maior e Carta Capital puxam a comissão de frente adversária.
O mais engraçado é que ambos os ringues criticam a cobertura da mídia diante da Guerra. Acho que a única interseção de ideias (sem acento agora!!!) é o fato da Rainha da Inglaterra, ou melhor, a ONU, estar cada dia mais vivendo com o nome. E o Brasil, com uma política externa ainda raquítica, luta por uma vaga em seu conselho de segurança, como se a representatividade daquela cadeira lhe desse status de grande Potência.
O que observo até agora, sem tirar nem por, é que o Hamas, querendo ou não, foi eleito
Voltando a vaca fria, Israel também sofre constantes ataques, vindos da Palestina e do Líbano (como aconteceu na guerra contra o Hezbolah recentemente). Ataques estes, que não tem nenhuma justificativa cabível dentro de uma sociedade democrática. Logo...
Logo, é lógico que nenhum dos Estados aceita a existência alheia e, pelo que se observa, não aceitará tão cedo. Analisar a Geopolítica da região com um prisma deformado ideologicamente não ajudará em nada a construção de diretrizes palatáveis para o Oriente Médio.
No mais..
No mais, alguns poucos acontecimentos mereceram destaque durante o período de Férias Chorumélicas.
Dantas, com a ajuda de alguns amigos (leia-se Gilmar Mendes, Heráclito Fortes e cia), continua ganhando de goleada na Operação Satiagraha. Já derrubou Protógenes e Paulo Lacerda e as pautas já trataram de deixá-lo de lado. Ainda mais agora, com a estréia do 56º Big Brother Brasil.
Na economia, mais uma vez, nossos analistas falaram demais. O Brasil é visto pelos principais órgãos Econômicos internacionais (OCDE, Financial Times, NYT) como o “Bric” mais preparado para enfrentar a crise. A inflação, berrada por Miriam Leitão há alguns meses atrás como indubitável, já virou deflação. Obviamente, bastava analisar a sazonalidade das commodities para vislumbrar que o aumento de preços era passageiro e a iminente crise, traria desaceleração no consumo, jogando os preços lá em baixo.
Para terminar, vale o link do novo look de Dilma Rouseff (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/01/13/cirurgia-plastica-deu-uma-arrumada-em-dilma-diz-mucio-para-cabral-ministra-ficou-mais-jovem-664669117.asp), agora no estilo Marta Suplicy. Candidata a presidência é isso ai, Marketing é (quase) tudo!!
É isso....saudações chorumescas....estamos de volta!!!!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
As eleições de 2010 já começaram.
Por Leonardo Vicente
Apesar das eleições presidenciais brasileiras só serem daqui a dois anos, as manobras políticas dos partidos iniciaram, e os candidatos a serem lançados como possíveis futuros presidente da república já se esboçam.
Porém, o que chama atenção é o cenário político atual que se principiou. Sem um candidato certo para 2010, o PT parece tentar uma manobra política ousada: lançar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à sucessão de Lula.
Dilma, que de uns tempos para cá levou um banho publicitário substituindo seu visual antiquado por um moderno e mais ‘clean’, deixou, também, de ser apenas a sombra de Lula assumindo um papel independente. Funcionou muito bem, Dilma não sai mais das matérias de jornais e dão relevância a tudo que a ministra diz, não apenas no seu papel como ministra-chefe.
Contudo, mesmo com a transferência de votos que o Lula possui, se o PT realmente estiver pensando em lançar Dilma como candidata ele se arriscaria muito pois a ministra não possui reconhecimento da população, e mesmo que os publicitários consigam colocá-la na mídia, a bagagem política pesaria.
Entretanto, seria Dilma a real candidata que o PT pretende lançar? Ou uma coligação se formará na tentativa de trazer outro candidato mais forte e com uma bagagem maior.
Essas perguntas se responderão com o tempo, porém, tudo indica que o próximo presidente do Brasil será o candidato com o apoio do PMDB. Enquanto isso, o PSDB, que não se entende, poderá entrar nas eleições fragilizado e sem o candidato que seria o mais forte, Aécio Neves.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Por onde andarás Dantas?
Protógenes Queiroz virou réu, o juiz Fausto De Sanctis quase foi retirado das investigações e Gilmar Mendes virou herói nacional, defensor de um Estado Democrático criado pela mídia para conservar arquiteturas arcaicas de proselitismo político.
O STF, antes tido como a "mente pensante" do Direito, o ícone do equilíbrio, virou palco do fisiologismo enraizado em Brasília. Uma grande arena, onde Joaquim Barbosa, Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Mendes, Ayres Brito e cia, disputam espaço no tabulato folhetinesco da imprensa, cada vez mais "bonitinho" para entreter nossos "Homers Simpsons".
ABIN, Governo e Polícia Federal entram em crise. As brigas internas dominam as primeiras páginas e os papos de botequim. Enquanto isso Dantas abre seu Brut Rosé e brinda com seus advogados ao som de "País Tropical".
Em tempo:
Por que a mídia defende a intervenção dos Estados Europeus e dos EUA na Economia e aqui no Brasil insistem no axioma do "corte dos gastos públicos"?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Anistia, Guantánamo, Reinaldo Azevedo e ideologias.
Em seu blog, ele tem mania de fazer um tal de “vermelho e azul”, onde ele comenta cada parágrafo de algum texto que não tenha gostado.
Vou fazer mais ou menos o mesmo, só que ao contrário. Seguem trechos de seus artigos, comentados “chorumelicamente”.
“Conversa mole e, com a devida vênia, picaretagem intelectual. Brasil afora, sabemos, há policias que torturam presos comuns. Perguntem o que o valente Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos, fez a respeito até agora. Eu respondo: nada! Perguntem o que Tarso Genro, ministro da Justiça, fez até agora. Eu respondo: nada! Atrevo-me a perguntar a Glenda: o que a senhora fez a respeito até agora? Nada também! E eu? Fiz o que me cabe como jornalista: já denunciei tal prática dezenas de vezes. E por que esses militantes da reparação do passado nada fazem pelos torturados presentes? Porque os coitados que se danam nas cadeias são presos sem pedigree ideológico.” (Azevedo comentando a questão da Anistia e julgamento dos torturadores).
"Se você não sabe a diferença entre um “serial killer” e um terrorista, é inútil explicar. Se você acha que um psicopata não difere moralmente de um sujeito que passa meses planejando como jogar aviões contra edifícios, fazendo-o de modo politicamente articulado, segundo a estranha “racionalidade” do terror, não espere que eu consiga lhe provar a diferença. Você se apegaria ainda mais à suposta igualdade entre ambos. Há contrastes, minha cara, diante dos quais argumentos são inúteis. Nem sempre eles esclarecem. É uma questão de escolha moral." (Agora, Reinaldo defende a Prisão de Guantánamo diferenciando acusados).
Agora, eu (em comentário feito no blog):
Reinaldo, realmente, apesar de escrever direitinho, você se perde. As dialéticas comparativas são boas quando lhe convém.
Para comparar um bandidão do Tráfico que é torturado pela PM, com um Prisioneiro político torturado por uma ditadura, não há diferença, é tudo igual!!
Agora, quando convém defender um sistema prisional arcaico e violento, você traça "N" contrapostos entre um Serial Killer americano e um terrorista.
Obviamente, nos dois casos (ditadura e EUA), temos heterogêneas estruturas sociais. No entanto, devem ser tratados TODOS (está lendo bem ai Dr. Azevedo), TODOS, da mesma maneira. Vivemos, pelo menos na teoria, em uma democracia, onde, até que se prove o contrário, as pessoas são inocentes e possuem direito a defesa e à reintegração social de forma plena.
Como nada justifica aquela irracionalidade brutal que é Guantánamo, também acho que todas as torturas são injustificáveis. Realmente, e aí eu concordo, temos um país altamente sistematizado ideologicamente pela esquerda. Fruto, nada mais nada menos, da incompetência dos projetos liberais, ou neoliberais.
Infelizmente, você prefere o discurso belicista ao social. Fala mal dos que "ideologizam" os textos, no entanto, é o que mais o faz, nas entrelinhas.
Reinaldo, já está demais não é meu caro???
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Fugindo das Ideologizações.
Sexta-feira passada houve uma Passeata na Cinelândia.Alardeados por uma necessidade de suprir um vazio ideológico, nossa juventude vai às ruas. A primeira faísca "blogstíca" ou o primeiro sussuro de polêmica, já se traduz em protesto, vira um contraponto sofista que esconde um vazio de pensamento crítico.
Torci por Gabeira, votaria nele novamente, o feriado influenciou na eleição, o Rio perdeu com a vitória de Paes, etc, etc. Agora, da mesma forma que os esquerdistas brasileiros e sul-americanos defendem e sustentam seus "muros" ideológicos a partir do discurso democrático, usam este mesmo discurso para suplantar derrotas.
Senão, vejamos: quando defendemos Lula, falamos que ele tem 70% de aprovação, quando "abraçamos" as causas de Morales e Chavez, gritamos que eles foram eleitos nas urnas, sejam por mil votos, seja por um voto. Eu digo isso e continuarei dizendo.
Mas, certas vezes, fico me indagando. Por que estas mesmas pessoas não foram para cinelândia antes, pedindo para os eleitores não viajarem? Por que não fizeram a tal "onda verde" durante a campanha eleitoral (nenhuma passeata botou 5 mil na rua durante as campanhas) ?
Infelizmente, nossos atos "políticos" são alicerçados em falácias cansadas, axiomas que se perdem num comodismo eterno, levantes midiáticos que ficam na linearidade cognitiva. A verdade é que somos movidos pelas frustrações próprias, as verdadeiramente sociais ficaram nas "passagens desbotadas na memória das nossas novas gerações".
Em tempo:
Sem dúvida, temos uma eleição histórica nos EUA. Não só isso, temos, indubitavelmente, um ar de mudanças caso Obama seja eleito.
Porém (sempre tem um porém) em "terras brasilis" precisamos lembrar que nenhum dos dois candidatos parece disposto a dinamizar as relações comerciais, leia-se corte de subsídios e apoio ao etanol nacional.
Vamos aguardar a decisão.
Em tempo 2:
Perguntar não ofende:
Alguém sabe quando a Revista Veja vai apresentar as provas do suposto grampo que causou uma crise institucional no Governo Lula?
domingo, 26 de outubro de 2008
Balanço Geral


As legendas de oposição ao governo federal manterão o comando de cinco capitais. O PSDB, que governa em três cidades, passará a governar quatro. O DEM, que comandava São Paulo e Rio, terá apenas São Paulo a partir de 2009.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Politização das Pautas
Tudo bem, eu sei que é chato mais temos que cumprir nosso dever chorumélico quanto a mídia, ela não aprende, é um problema.
A última semana foi de um didatismo tremendo.
Tivemos dois casos relevantes envolvendo Polícia. O seqüestro da menina Eloá e o embate entre a Civil e a Militar, ambos
O caso da jovem, morta pelo namorado após 100h presa, dispensa maiores comentários. Noticiários ficaram ligados 24h, naquele tradicional circo que já conhecemos, um “Caso Nardoni
Agora, vamos as coberturas. Nos dois casos houve críticas a atuação policial, é verdade, mas os detalhes são interessantes:
Apenas no caso do confronto entre Civil e Militar, cujo PT foi acusado de mentor das manifestações, houve politização das pautas. Segundo a impresa, o partido teria promovido o protesto em ato política contra José Serra. Ter o pior salário do país não conta em nada não, bobagem.
No seqüestro, onde observamos erros na conduta das negociações, não tivemos cunho político. Coincidência ou não, a operação foi conduzida pela PM (Governo tucano). Tudo bem, todo mundo vai dizer que estes casos não podem ser politizados, concordo, mas já que se abriu um precedente de crítica à Polícia Militar que critiquemos quem a prepara também, o Governo Paulista. Quando a imprensa “bateu” na Civil, o burburinho logo chegou aos gabinetes Partidários, quando “bateu” na Militar, se limitou às fardas e passou longe dos ternos.
Nesses pequenos detalhes é que pegamos nossos coleguinhas na curva.
Em tempo:
A campanha do Rio, assim como a de São Paulo, já está caindo na velha retórica dos ataques. O último debate (domingo na Record) foi um show de acusações. Cesar Maia, troca de partidos, obras estapafúrdias etc. Políticas programáticas zero.
Aliás, é impressionante o pragmatismo da campanha de Paes. Extremamente bem articulada com o discurso popular, ele enche a propaganda de ações paliantivas e pontuais, cuja a impressão de um plano de governo mais consistente se sobrepõe a visão de Gabeira.
Como marketing político, perfeito, como benesses para a Cidade, pura politicagem.
Em tempo 2:
Do G1:
Na semana passada, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), anunciou uma medida que abre brecha para a manutenção do emprego de parentes de senadores. Segundo decisão da Mesa Diretora da Casa, familiares nomeados antes da posse dos parlamentares poderão permanecer no cargo.
A sorte do Senado é que existem "Limdenbergs" e "Motoristas assassinos de donos de Mercado".
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Política, Dia das Crianças e Mídia.
Na mesma esteira que se deram a explosão do capital e conseqüentemente o triunfalismo Neoliberal no final de século XX, as formas de organização espacial se moldaram em função de novos conceitos difundindo-se juntamente com todo esse processo.Quando vimos que nos 4 meses (Julho, Agosto, Setembro, Outubro) que antecederam o dia das crianças foram gastos 210 milhões somente em publicidade infantil, um quebra-cabeça de difícil solução se monta diante da sociedade.
Com a base da humanidade calcada no capital precisamos formatar o meio para que ele de sustentção e governabilidade ao novo sistema. E como fazemos isso?
A resposta se apresenta tão clara quanto água. A projeção e a emergência da sociedade baseada no consumo garantem a funcionabilidade sistemática, o tal "status", que se tornou um signo de poder, vai muito além de uma simples palavra, é quem nos deixa preso a uma rede de capitalismo e lucro nos deixando "obrigados" a consumir. Isso é o que ele oferece em troca da submissão à ele.
Se debruçando nesses padrões, a formação da nova gerção sofre cada vez mais a coersão do meios comunicacionais, que os direciona num caminho muito complexo.
O esvaziamento das relações familiares se torna condição ímpar para que esse processo se desenvolva. Os valores, a educação e as normas fugiram da relação mãe-filho e correram para a relação filho-mídia.
É nesse relacionamento quase pueril que a publicidade joga, e joga pesado. Tendo em vista que a família sempre foi a principal formadora identitária das crianças, a quem ela recorre quando não vislumbra nesse relacionamento uma formação alicerçada? Nos meios de comunicação. As crianças passam em média cinco horas por dia em frente à TV. Quanto tempo será que passam com os pais?
Os arautos dessa nova era tecnológica dizem que esse é um processo natural afirmam que as mudanças se dão naturalmente, e cada vez mais as crianças vão ter uma relação quase materna com os novos inventos da midiáticos. Obviamente, esses são os mesmos que dominam toda o aparato ditatorial midiológico no mundo, dessa forma analisam a questão lucrativamente e não "educacionalmente". Deixar de lado uma formação familiar sólida para se construir uma formação mercadológica, onde o ter se sobrepõe ao Ser e o canibalismo competitivo do mercado já são enraizados desde pequeno, não é plausível para quem acredita em alguma transformação estrutural na sociedade moderna.
Todos esses fatores traçam uma pista sinuosa, assim, para não derraparmos precisamos largar bem, e ensinar ainda na primeira volta que o social é maior que o individual e o essencial maior que o material.
Em tempo1:
O segundo turno vem aí. No Rio, Gabeira cresceu quando tinha que crescer, Jandira, mais uma vez, caiu na reta final e Paes continua como favorito. Crivella mostrou que tem um "piso" muito amplo com um "teto" muito baixo e parece não ter folego para expandir seu nome acima do Senado.Detalhe interesasnte da troca de valores que observamos hoje na política nacional. Gabeira tem apoio do DEM, o mesmo DEM que compunha a base de Severino Cavalcanti, o mesmo Severino que foi apedrejado por Gabeira na câmara. Paes tem apoio de Lula, o mesmo Lula que foi achacado por Paes na CPI Midiática dos Correios. Como diria Weber não existe ética na política existe Ética da Política.
Em tempo 2:
Para variar a mídia espetaculariza a crise e torce parece que torce para o Brasil nela se afundar. Percebam a malícia dos jornais, todas as matérias envolvento queda da Bovespa vem acompanhada de alguma fala do Governo de que o país está blindado contra a convulsão econômica.
Alguns aspectos são relevantes:
1- O Brasil realmente tem uma boa base de sustentação contra a dívida. Obviamente que em algum momento iremos sofrer consequencias (ohhh!!), sem alardes por favor.
2- A crise não será resolvida com redução de juros ou abertura do crédito. É preciso dinheiro vivo para os bancos de investimentos que estão quebrados. O problema não é liquidez é capital mesmo.
3 - A política dos "swaps reversos", aquela na qual o BC transferia dinheiro para os Bancos trocando contratos derivativos de juros pelo câmbio, acabou quebrando as empresas com essa repentina depreciação do real. Com isso, o BC, que é uma mãe, passou a fazer os "swaps" clássicos, onde os também há a troca de contratos de risco (juros x câmbio), no entanto, com o BC pagando pela variação dos juros (alta) e não mais pela apreciação do real, que foi pro saco nas últimas semanas.
É aguardar a estabilização da crise, por enquanto o pânico ainda toma conta, com baixas de 15 e altas de 13%, tudo surreal.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Curtinha da Crise

A reprovação da "mãozinha" do Estado na economia americana revelou alguns pontos interessantes no cenário ecônomico internacional.
Num primeiro momento, houve uma euforia nos mercados internacionais quando o FED salvou alguns gigantes de investimento norte-americanos. Bom, ai veio a ressaca, era preciso muito mais dos que os bilhões já investidos para controlar a crise internacional.
As utopias da concepção sistêmica perfeita, "mercado regula o mercado", parecem ruir ciclicamente como todos os outros durante a caminhada histórica. Após passarmos pela crise dos emergentes asiáticos em 97 e a turbulência "hermana" entre 99 e 01 será que assisitiremos alguma quebra de paradigma mercadológica? Ou será apenas mais uma demonstração de que este sistema cai nas suas próprias armadilhas?
PS: a brilhante analogia das capas (Veja e Carta Capital) é do blog do Nassif.
Em tempo:
Esta semana o Espaço Aberto da Globo News recebe o jornalista (?) Reinaldo Azevedo. Vamos ver as batatadas bradadas pelo blogueiro da Veja.
Em tempo 2:
Nunca vi uma eleição carioca tão murcha.
O boa-praça Chico Alencar, em entrevista ao site Carta Maior, define bem o tema: "Sim, dentro desse contexto de candidaturas milionárias, de placas, de postes humanos, sem militância, sem agitação de rua... Eu posso te assegurar que essa campanha não terá nenhum grande comício de reta final, ao contrário de tantas outras que eu já vivi."
Não obstante, ao mesmo tempo a campanha imagéticamente mais rica sobe nas pesquisas (Eduardo Paes).
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Por trás de O Globo.
Tudo bem, eu concordo que é muito chato bater na mesma tecla toda hora, mas é brincadeira!!Sábado de manhã (20/09) passando pela banca li uma das manchetes de O Globo: "Chavez expulsa ONG que lutava pela Democracia." Obviamente, como a manchete era do Globo, chegando em casa fui pesquisar sobre o fato.
Num primeiro momento, temos que fugir do minimalismo da imprensa nacional. Chavez = vilão. Há muito mais o que se debater do que simplesmente desmoralizar e achacar o governo venezuelano.
Sem dúvida lá existem autoritarismos, excessos, pobreza, etc., nada que nossas terras não conheçam.
Enfim, vamos aos fatos. Chavez expulsou da Venezuela dois membros da ONG Human Rights, por terem produzido um relatório sentando o pau no governo. Na minha humilde concepção, nada justifica a expulsão, nada, mesmo que as críticas sejam infundadas e fora de ponto, é preciso saber lidar com elas.
O mais interessante é que o jornal, em nenhum momento, publica alguns pontos que merecem destaque:
- A ONG (quando diz que não há direitos humanos no país) não leva em conta avaliações de outras grandes instituições. A UNESCO declarou recentemente a Venezuela como um país livre do analfabetismo. A OMS avaliou de maneira extremamente positiva o programa de saúde "Barrio Adentro", que leva medicina aos bairros mais pobres. O Comitê das Nações Unidas contra a discriminação Racial usou a Venezuela e a Bolívia como destaques na inclusão social de povos indígenas que ficavam à margem da organização social.
- A Human Rights Watch (HRW) foi criada em 1978 pelos EUA, para servir de instrumento propagandístico - ideológico na Guerra Fria.
- José Miguel Vivanco (Diretor que foi expulso da Venezuela) trabalhou na diplomacia da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile.
- Esta mesma ONG apoiou o Golpe de Estado sofrido por Chávez em 2002. Aliás, toda a mídia nacional apoiou.
Deixo bem claro: acho que não podemos ter fanatismos para nenhum dos lados. Precisamos é mostrar claramente os dois. Tanto nossos jornalões precisam apresentar o excelente trabalho social de inclusão que Chavez faz, quanto nossas esquerdas precisam debater algumas atitudes autoritárias do presidente sem paixões e cegueiras.
Queridos leitores, avisem aos grandes jornais que aqui o lixo não fica dentro de saco preto, vamos meter a mão no Chorume.
Fontes:
wikipedia.com
abn.info.ve
reuters.com
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
A regulação da Livre Iniciativa.
Os últimos dias de economia convulsionada parecem traçar um paralelo complicado entre o sonho do conceito da livre iniciativa e a ingerência dos Estados nos assuntos econômicos.Em tempo 1:
As eleições no Rio esquentam, Eduardo Paes, com fortíssima campanha de propaganda, já lidera ao lado de Crivella.Jandira, ficou para trás, seguida por Gabeira e Solange Amaral.
Alguns pontos já ficam claros na campanha. A opção, digna diga-se de passagem, de Gabeira, em não panfletar nem usar muitas campanhas visuais, evitando poluição, parece que foi um tiro no pé. Paes, o mais agressivo neste sentido, já lidera as pesquisas.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Estado Democrático?
A composição de cargos dentro do sistema de Estado também se mostra complicada. A pouca quantidade de concursados e o excesso de cargos comissionados fazem com que o balcão de negócios entre os partidos aumente muito, todos buscando uma brecha para entrar no governo.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
O último (e triste) tango em Brasília.
A questão é simples: a mídia bate e Lula afaga, como um Pai. Não o “Pai dos Pobres”, mas o “Pai da mídia”.
Não sou daqueles que creditam todos os movimentos de corrupção no Brasil na conta da imprensa, é objetivar demais um debate extremamente complexo. No entanto, confesso que diante das últimas semanas fiquei estarrecido com os fatos que se sucederam.
Os responsáveis pela Operação Satiagraha encaminharam ao Juiz De Sanctis e este deferiu dois pedido de prisão contra Daniel Dantas, para evitar que o banqueiro, de alguma forma, interferisse no andamento e conclusões da referida Operação. Gilmar Mendes soltou o empresário nas duas ocasiões, quando despachou favoravelmente, pela concessão dos habeas corpus impetrados pelos advogados do banqueiro. Como conseqüência, tivemos a materialização de todas as previsões feitas pela cúpula da Satiagraha, com o envolvimento de órgãos da mídia e das oposições, na missão de inverter os papéis dos atores participantes da trama, incriminando-se as Autoridades da PF e inocentando-se Dantas e sua turma.
É, parece teoria da conspiração, teoria de não sei mais o que, etc. Mas está aí, desta vez preto no branco. O inquérito da Satiagraha mostrou por A + B: Daniel Dantas corrompeu meio mundo, inclusive uma parcela considerável da imprensa. Isso não sou eu quem digo, está lá nas centenas de papéis que desnudaram a podridão de interesses entre Estado e iniciativa privada.
Os jornalões deram três ou quatro dias de holofotes para Dantas e depois começaram um processo deslavado de “absolvição” do banqueiro. Espetacularização da PF, excessos, loucuras, até erros de português estavam achando para achacar o inquérito do delegado Protógenes Queiroz.
Pois bem, todo mundo embarcou nessa. Nos bares não se fala mais de Dantas, Gilmar Mendes virou o ícone do Estado Democrático, do Estado de Direito.
E ontem, nosso querido Lula cedeu mais uma vez. Aqui em O Chorume já havia comentado que a CPI dos grampos tentava, nada mais nada menos, minimizar e criminalizar as ações da PF. Não deu outra, a Veja publicou uma matéria dizendo que Gilmar Mendes foi grampeado pela ABIN. Ótimo, perfeito seria se a reportagem se prestasse ao papel que ela teria que desempenhar, fazer jornalismo.
Segundo a revista: “O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo.” Como o país é um lugar de previsões, “eu acho que”, “eu penso que”, “eu suponho que”, Lula afastou ontem toda a diretoria da Agência de Inteligência, sob o pretexto de não atrapalhar as investigações. Dantas teria que ser preso pelo mesmo pretexto, mas está solto, solto pela mesma pessoa que é protagonista (Gilmar Mendes) da ação que fez Lula afastar a diretoria da ABIN. Parece mentira, mas é verdade!!!!
Deixo claro, se foi a ABIN, que seja punida. O que não se pode é utilizar o debate para endossar uma articulação no mínimo, obscura, para livrar a cara de Dantas.
Paulo Henrique Amorim tem lá seus fanatismos e devaneios, algumas vezes extrapola um pouco em seu blog, sem dúvida. Porém, desta vez acertou em cheio:
“. Dantas destituiu o ínclito Delegado Protógenes Queiroz, com a desculpa de que cometeu “excessos”.
. Dantas demite agora o Dr. Paulo Lacerda da Abin, numa patranha montada com a Veja e Gilmar Mendes.
. O Presidente que tem medo entrega o poder a Gilmar Mendes, com medo de Dantas.
. O Presidente Lula não pôde ter uma Policia Federal Republicana nem um diretor da Abin competente.
. Ele é o que está aí: subordinado ao Supremo Presidente do Supremo.
. Triste fim de Governo !
. Deposto por um quadrilheiro, amparado pelo Supremo!”
Confesso amigos, acho que desta vez até minha ingenuidade utópica de um país melhor foi pelo ralo.
sábado, 30 de agosto de 2008
Lévy e Mattelart, Política e Comunicação.
Dentro desse bojo, o filósofo Pierre Lévy, estudioso ímpar da nova cultura cibernética, joga algumas indagações essenciais dentro da discussão teórico-paradigmática que visa problematizar de maneira crítica o novo paralelo entre a cibercultura e a função cognitiva dos grandes transformadores da organização espacial, os intelectuais.
Lévy nos indaga com a pergunta: "Nesta nova situação, não é urgente redefinir a função dos intelectuais?".
Para um primeiro momento, o filósofo define a atuação intelectiva contemporânea e como explorar de maneira plena este novo espaço e como fazê-los trabalhar a serviço de uma unidade social e da inteligência coletiva.
No tocante a tabulação do problemas, o artigo destaca dois principais. Um subgrupo definido enreda a grande pluralidade e multiplicidade dos novos sistemas de comunicação tecnológica, ou seja, incompatibilidade de uma organização, nova, e cabível para que se possa configurar o ciberespaço a partir das novas teorias críticas.
Nesta mesma esteira de raciocínio, o segundo subgrupo, mostra como a engenharia da internet só contribui para a simplificação, alienação e pragmatização das questões conceituais. " Lembremos que o Google e o Yahoo baseiam suas pesquisas em cadeias de caracteres e não conceitos. Por exemplo quando o usuário solicita a pesquisa "cachorro", esta palavra é tratada como a seqüência de caracteres "c,a,c,h,o,r,r,o", e não como um conceito traduzível em várias línguas...", afirma Lévy.
Assim, com a dependência cada vez maior dos meios de comunicação, como criar um sistema universal com gestão de conhecimento?
O autor se apóia em duas observações principais sobre a criação do sistema, a primeira fala da amplitude do sistema, ou seja, fazer com que ele envolva todas as línguas e teorias, sem preconceitos socialmente pré-estabelecidos.
O segundo ponto é do tipo matemático. Ao passo que os endereços matemáticos criam operações de análise operacionais e automáticas, as teorias não podem ser assim, por isso é necessário repensar essa questão.
A objetivação dos conceitos teóricos em plena sociedade da informação, mostram como o esvaziamento intelectual se dispõe como grande empecilho para o desenvolvimento da cultura nos próximos anos.
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Mattelart, em seu artigo, "A batalha das palavras", mostra a evolução do conceito de sociedade em rede e como isso se deu em paralelo com um crescimento teórico-intelectivo quase pueril.
A guerra fria foi o primeiro contextualizador dessa tipo de sistema em rede dentro da nossa organização espacial. A partir de 60 e 70 ela ocorreu de maneira mais perceptiva.
O crescimento dos meios de comunicação de massa e a política de esvaziamento sócio-ideológico. A indústria cultural que começava a ser construída pelos EUA já dava sinais de domínio midiático diante da emergência da sociedade de consumo.
A partir da década de 80 a falta de participação do Estado, debruçada na falsa idéia de livre "iniciativa", e o crescimento de Tactcher e se neoliberalismo deram ainda mais base de sustentação ao domínio midiático
Em 90 o estágio que seria o passo mais importante o surgimento da internet faz com que as fronteiras comunicacionais fiquem cada vez mais curtas. Foi ela, internet, a catalisadora de uma hegemonia dogmática e de formatação dos debates de mídia (agenda setting).
O autor cita que em 2001, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) propôs a criação de uma noção estatística da informação, calcando ainda mais o paralelo entre informação e mercado.
Uma das grandes críticas é sobre a questão do controle do que é acessado na rede, que fica por conta, mesmo que indiretamente, dos EUA. Logo o controle do fluxo informativo fica mais palpável, apesar da internet ser infinita.
Assim, dentro desse prisma, voltamos ao direito de comunicação mais primórdio, visto que hoje em dia esse instrumento não se encontra plural e democrático como deveria ser. O sentido vertical impera hoje como nunca, nesse cenário de alienação e dominação, o debate em torno do quarto poder e sua relação com o meio social se transformou em um dos principais temas do século XXI.
Os dois autores trazem uma abordagem muito parecida, porém, vistas de um ângulo diferente, mas sempre problematizando o debate prospectivamente.
A fase pós-industrial, que traz consigo a sociedade em rede, a despolitização e o esvaziamento do Estado, traça um novo desenho na configuração, com a mídia como um gestor da sociedade contemporânea.
Para Levy, a complexidade do problema está justamente na contradição entre um crescimento das tecnologias dos veículos e a diminuição de debates subjetivos diante dos temas.
Esse pragmatismo é fruto de uma sociedade, cuja linearidade do discurso se explica pela objetivação e formatação das discussões. Assim, os que "mandam", não vêem como um negócio interessante um avanço prospectivo dos indivíduos, o que não sustentaria a organização consumista-capitalista,
Mattelart, também foca o problema da relação mídia – social, porém com enfoque um pouco diferente.
A emergência da sociedade em rede trouxe o controle do fluxo de informações, é a ditadura midiática. Poucas corporações tem em mãos toda a máquina de comunicação e manipulam da forma que bem entendem tudo aquilo que é publicado.
Quando a mídia vende a idéia de acesso fácil e pluralidade, ela está, nada mais nada menos, objetivando (Levy) e formatando (Mattelart) o discurso ao invés de criar mecanismos crítico – argumentativos para uma leitura do mundo mais prospectiva.
Os dois autores mostram como a atuação da mídia hoje é um dos grandes vetores do capitalismo e do esvaziamento educacional. Traçam, também, algumas tentativas de solução para o problema, que passam pela velha, porém, indispensável, retórica da formação educacional e da mídia sem o teor mercadológico dos novos tempos.
No momento em que a informação vira mercadoria e o pragmatismo substitui a subjetividade, um cenário sombrio se monta em nossa geração. O ano de 2007 foi um passo muito grande para a democratização dos meios de comunicação, o advento da internet não trouxe só problemas, como é um campo infinito de pesquisa, há cada dia surgem blogs e sites nos quais a crítica aos oligopólios de comunicação são cada vez mais constantes.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Política e Petrosal
Exemplos não faltaram durante o governo Lula. Questões que não quero aqui defender ou atacar, mas que pela falta de discussões prospectivas, viraram joguete partidário no planalto. Vejamos alguns exemplos: referendo do desarmamento, CPMF, CPI´s etc.
O folhetim do momento é a criação de uma outra estatal para administrar os ativos do governo na área petrolífera do Pré-sal. O grande mote do debate é deixar a Petrobrás gerir a área e assim o governo ter direito a um repasse menor de verbas ou criar a “Petrosal”(possível nova administradora estatal).
Obviamente, a oposição não quer o Estado arrecadando mais e investindo mais, é a velha lógica, quanto pior for o governo melhor para oposição, pior para o País. Além disso, criticam, de maneira correta até certo ponto, a questão dos cabides de empregos e os loteamentos de cargos.
Acredito que a criação da Petrosal, se feita de maneira correta, pode ser um grande propulsor de desenvolvimento socioeconômico. Seria uma lógica simples, sabendo-se que o “ouro negro” é um bem finito, os recursos (em dólar) arrecadados através dos seus ativos seriam destinados a um Fundo Soberano, sendo este encarregado de fomentar uma visão estratégica da nação, principalmente nas áreas sociais e de infra-estrutura. Além disso, ao reter a enxurrada de dólares e investir de maneira correta, tirará a pressão da moeda americana sobre o Real, amenizando apreciação exagerada do câmbio.
A Carta Capital deu alguns exemplos interessantes das questões do Petróleo em combinação com os Fundos Soberanos. Em Dubai, a aplicação dos roiyalties foi bem feita e hoje se pode viver sem os “petrodólares”. Deu exemplo interessante também da Venezuela, que há décadas nada de braçadas em dólares petrolíferos, no entanto sofre altíssima pressão cambial, pois não investiu a longo prazo e vem quebrando a indústria interna com a moeda muito apreciada.
Enfim, acho que vale o debate, debate na essência de palavra. Sem dúvida, temos vários exemplos de estatais que são cabide de emprego, alías, acho que todas são. No entanto, acredito que ao invés de não criar ou não fazer ou não investir, precisamos tentar construir alguma coisa e a partir disso fiscalizar de maneira correta todos os cargos, o destino dos investimentos e a real contribuição que a sociedade está recebendo.
Não quero defender ferrenhamente muito menos criticar cegamente, se houver um verdadeiro projeto de coalizão para não criar a empresa, ótimo, se resolverem criar, ótimo também. Não podemos é deixar as riquezas estratégicas do Brasil a mercê de politicagem entre governo e oposição.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Análise Sócio-Política Olímpica.
Mais uma vez o jornalista (?) Reinaldo Azevedo ensina como não se fazer Jornalismo.
Bom, leiam o texto (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/08/tio-rei-na-olmpada-sejamos-egostas.html) que ele fez. Depois segue uma análise minha.
A questão do choro ou da desculpa, como queiram, é um momento de pura emoção, são quatro anos treinando para cair no momento final, morrer estendido na areia da praia depois de atravessado o oceano. É MUITO difícil, só quem vive pode descrever. As desculpas não são nada demais, tantos outros atletas já pediram desculpas, o próprio “Dream Team” pediu nas últimas olimpíadas.
Enfim, nada tenho contra pessoas que pedem desculpa para alguém que cria expectativas sobre ele, nada mais normal para pessoas normais. Não me venham com essa de síndrome de derrotado, puro "americanismo".
Quando ele fala sobre o clichê derrotista, fala com nenhuma propriedade. Qualquer pessoa ligada a esporte sabe que o Brasil é um dos que mais cobra seus atletas em esportes tradicionais, repito, tradicionais!
Vamos lá, exemplos: Se o futebol for vice-campeão mundial, vai ter clichê derrotista ou todo mundo vai descer o pau? Se o vôlei masculino for eliminado na primeira fase seremos seduzidos pelo "importante é competir" ou vamos descer lenha?
Um exemplo que cristaliza a cobrança sobre os atletas de alto nível pode ser Rubinho Barrichelo. Ele foi o segundo melhor piloto do mundo, SEGUNDO, e daí? Tivemos a tal síndrome derrotista que o Reinaldo escreve ou Rubens virou chacota até hoje?
Assim, precisamos comemorar sim quando APENAS competimos na Ginástica, no tiro, no nado sincronizado, no ciclismo, entre outros.
Obviamente que os atletas competem por si só, sem dúvida. Mas não me venham com essa história que só vencem os egoístas, vence quem humilha adversário, vence quem não chora no pódio, vence quem esquece seu país. MENTIRA.
Os atletas são a representatividade do país sim, representatividade da educação, da superação, do esporte como complemento social fundamental para o desenvolvimento, são espelhos para sociedade, por isso tem as devidas responsabilidades sociais.
Infelizmente, aqui no Brasil ainda não funciona assim, o esporte é escape social e não complemento. Mas espero, ao contrário da maioria que escreve besteira por aí, que o país cresça espelhado nos esportes, usando tanto o "importante é competir" quanto "a vitória é a única coisa que importa" da mesma forma, um meio termo, sem ser preconceituoso ou minimalista.
Paternalismo exacerbado? Que isso, até o “Super Phelps” se emocionou com a mãe na última prova, pelo amor de deus Reinaldo, reduzir os problemas estruturais esportivos e sociais do país aos laços familiares é demais. Esse "culto" a que você se refere é social, cultural do nosso país, todo mundo sabe o que cada pai humilde ou cada empregada doméstica sofre para criar os filhos, nada mais normal que os laços se aflorem em momentos especiais.
Dizer que temos que cortar esses laços para criarmos vencedores???!!!Forçou um pouco dessa vez Azevedo.
A bandeira no pódio, o hino, saber que milhões (e não só no Brasil, em TODOS os países) torcem por você é importante sim para o atleta, isso é indubitável. Não quero ser romântico, ufanista, etc. Mas não se pode minimizar os problemas do Brasil à críticas preconceituosas, individualistas e extremamente egoístas.
Vocês estão lendo muito Ayn Raid, variem um pouco!!!
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Geopolítica?
Nos últimos anos temos visto um vazio identitário por parte da geografia humana, faculdades e universidades se limitam a formar professores e ambientalistas nos cursos. Algumas ciências como, história, ciências sociais e políticas e economia estão ocupando o lugar que poderia ser preenchido pela geopolítica. Algumas pessoas (como o próprio autor) tem um segundo grau recheado de bons debates nas aulas da disciplina - ao contrário de décadas passadas aonde víamos um determinismo ambiental e uma geografia totalmente pautada em observações e intuições - buscando analisar de forma político-social a miscigenação entre o homem e o meio, a partir dessa geografia escolar essas pessoas buscam se especializar na área mas encontram um buraco enorme entre a geopolítica e a geografia das faculdades.
A geografia viveu um movimento muito forte de renovação e rompimento de paradigmas nas décadas de cinqüenta e sessenta, a chamada “geografia tradicional” entrava em crise, era preciso buscar novos caminhos e novas linguagens para que houvesse uma liberdade maior para reflexão e criação.
As razões dessa crise foram, em primeiro lugar, a organização espacial que sustentava as idéias da geografia tradicional havia se alterado. O modo de produção capitalista mudou, o liberalismo econômico estava enterrado, e com ele as grandes iniciativas privadas, era a hora do estado intervir na organização territorial e econômica da sociedade, essa realidade propõe uma nova função para as ciências humanas na época e a geografia tradicional não parecia seguir esta linha, daí o principio de uma crise ideológica.
Num segundo momento podemos observar um processo de desenvolvimento urbano muito acelerado, cidades passam a se transformar em megalópoles e as comunidades locais dão lugar a uma rede de relações e interesses muito complexos, era o embrião da globalização. Isto defasou o objeto de pesquisa da atual geografia, ela não tinha mais condições de entender e estudar a nova forma de organização do espaço urbano.
Porém esse movimento de renovação não e unitário, devido à enorme quantidade de caminhos e pensamentos ideológicos, o mosaico dessa nova geografia e muito abrangente e pode ser dividido entre a Geografia Pragmática e a Geografia Crítica, nas duas vertentes podemos observar posturas filosóficas e metodológicas diversificadas.
A ala pragmática visa uma perspectiva voltada para o futuro, como vimos o planejamento urbano passa a ser objeto de estudo das ciências humanas, então essa geografia busca alinhar esse planejamento em função do interesse do capital burguês. Esse novo braço da geografia nada mais é do que uma “Geografia tradicional” um pouco aperfeiçoada. Uma das vias da Geografia pragmática, e o entendimento das relações por meio de números e fórmulas matemáticas, o que e amplamente deixado de lado pelos defensores da linha crítica.
A geografia que nos interessa realmente é a critica, são autores que se posicionam por uma transformação da sociedade a partir dos seus estudos. Os seus defensores começam a buscar uma geografia militante e com pitadas de política e ideologia, buscando uma realidade social mais justa.
A principal critica que esse movimento faz à geografia tradicional, é o aprisionamento dos seus estudos em simples descrições ou intuições de uma paisagem.
Outro ponto que é questionado é a estrutura de dominação de classes, os geógrafos críticos apresentam uma geografia com caráter social e classista, buscando combater o abismo social do modo de produção capitalista.
Um dos primeiros livros a apresentar a geografia de forma política, e mostrar uma crítica ferrenha aos modos de pensamentos tradicionais foi A Geografia serve, antes de tudo, para fazer a guerra. Yves Lacoste, em seu livro, mostra a geografia dividida em duas vertentes: a “Geografia dos Estados-Maiores” e a “Geografia dos Professores”.
A primeira seria uma ciência que sempre existiu, todos os grandes estrategistas de guerra (Napoleão, Alexandre ou Hitler) sempre tiveram projetos ligados a noção de espaço e organização territorial. Essa Geografia seria, na prática, para estabelecer estratégias de domínio, e ações de guerra na superfície terrestre.
A segunda seria a denominada Geografia Tradicional, para Lacoste ela exerce uma função principal, mascarar a existência da Geografia dos Estados-Maiores, ou seja, mostra a geografia como um saber inútil, mas ao mesmo tempo é a base para as pesquisas de guerra dos principais Estados.
A partir desse final da década de setenta, a geografia política sai dos círculos militares e entra em uma visão integrada de espaço, em uma perspectiva popular, socializando o saber geográfico, pois ela passa a se tornar fundamental para constituir uma nova organização espacial e dar embasamento para embates políticos e sociais.
Tendo todo esse cenário de transformações e melhoramentos, como pode a Geopolítica ter sumido?
Um primeiro ponto, sempre muito debatido nas faculdades e salas de aula é o velho ditado que diz assim: “a geografia é um oceano muito extenso e pouco profundo”. Apesar de não concordar muito, a frase não deixa de estar certa, em certos momentos a aluno se vê meio perdido diante da gama de assuntos abordados, e acaba por não se aprofundar em nada e cai na sala de aula, como última opção (sem desmerecimento à classe obviamente).
Assim, dentro de muita coisa com pouco conteúdo a ciência perde espaço para as outras se esboçar nenhuma reação. Quer ser geógrafo ambiental? Perde a vaga para o engenheiro. Quer a geografia de solos? Perde para o Geólogo. Quer ser humanista? Aí que está ferrado mesmo, fica atrás de sociólogos, economistas, cientistas sociais etc.
E, como tudo, acaba caindo no ramo mercadológico, até porque os profissionais tem que sobreviver, e aí vão dar aula em cursinhos, colégios, faculdades, deixando de lado pesquisas, análises sociais e projetos ambientais.
Um parênteses aqui antes do fechamento do artigo, não busco, em momento algum, menosprezar a classe acadêmica, até porque considero os professores grandes artistas, mas acredito que a Geografia pode oferecer muito mais do que aulas.
O Geógrafo tem na sua crítica, também o seu diferencial.O olhar mais amplo que os estudos geográficos proporcionam enxergam além das análises técnicas e pragmáticas de um economista, por exemplo.
Finalmente, espero muito um reerguimento da Geografia na sua essência, espero porque como muitos, que hoje entram nas faculdades para ter na disciplina sua profissão, eu um dia já entrei e vislumbrei todo esse mosaico que apresentei aqui.
Milton Santos faz falta!!
Em tempo :A CPI dos Grampos nada mais é do que uma palhaçada.
Estão tentando minimizar e acabar com a Operação (brilhante) Satiagraha, que botou na cadeia os engravatados mais importantes do país.
Aliás, perguntar não ofende.
O que a discussão em usar ou não algemas vai mudar a estrutura do país?
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Nova Guerra Fria?
Enquanto a ameaça de uma guerra surge na Geórgia, a disputa geopolítica entre Estados Unidos e Rússia fica cada vez mais clara. A conflagração armada nunca esteve tão próxima da fronteira russo-georgiana. O conflito começou quando tropas da Geórgia tentaram tomar o controle da região de Ossetia do Sul, área, de fato, autônoma e protegida por forças russas.
A disputa reflete, nada mais nada menos, do que uma disputa de forças entre Rússia e EUA, uma nova Guerra Fria, que parece estar esquentando cada dia mais.
Após a abertura econômica com Gorbachov e Yeltsin, a mão forte do Estado voltou a pesar na Rússia, com Putin, o que tem levado o país a desentendimentos constantes com a política norte americana. Observadores mundiais e a grande mídia acusam, desde o início da "era Putin", a nação de cercear os direitos civis e a liberdade de expressão.
Os disolvidos estados da antiga União Soviética tomaram rumo próprio, alguns já integram a União Européia, outros a OTAN, o que não agrada muito ao governo russo, cujo desejo de centralidade de poder do leste Europeu ainda parece estar aceso.
Por outro lado, o Tio Sam é quem puxa esta "ocidentalização" dos antigos países da URSS. Além disso, a proposta de montar uma base militar no centro da Europa é outro tema que beira o belicismo entre as duas potências.
Ainda como pano de fundo de toda este folhetim, estão áreas da Ossétia do Sul e da Geórgia estratégicas nas áreas de petróleo e gás.
O fato é que a política imperialista dos EUA incomoda Putin, assim como estes resquícios da grande URSS incomodam Bush, com isso a disputa por influência mundial já está chegando a níveis preocupantes, e a militarização direta dos dois países pode ser uma mistura explosiva para uma Guerra que já foi Fria.
Em tempo 1:
É um total absurdo o que fazem com Evo Morales na Bolívia. Não quero discutir se o seu governo é bom ou ruim, democrático ou autoritário. O fato é que Evo foi eleito de maneira soberana e democrática, o que as Regiões separatistas fazem é puro Golpe de Estado. E o pior, tudo isso endossado pelos observadores (?) mundiais.
Com a esmagadora vitória no referendo, Morales mostrou sua força e, principalmente, o desejo de mudanças dos povos indígenas da região.
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL688102-5602,00-ENTENDA+O+REFERENDO+REVOGATORIO+NA+BOLIVIA.html
Em tempo 2:
Enfim, mandaram Álvaro Lins pro saco.
Nos resta torcer pela degola Natalino, Jerominho e outros derivados.